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sábado, 2 de novembro de 2019

Amor é: na saúde e na doença...

Nas últimas semanas tenho andado adoentada. Uma das minhas mamas começou a ficar dolorosa, com pequenos derrames, quente, um pouco aumentada, com alteração de cor numa das regiões do mamilo.. A um mês do casamento, em Inglaterra sozinha, e sendo uma mulher em geral fiquei em pânico!

Eu tenho muito medo de vir a sofrer cancro e mais especificamente cancro da mama, não é de agora, mas de quando estagiei no IPO.  Desta vez não foi um medo totalmente infundado pelos sintomas que tenho tido. Entretanto fui ao médico, ainda sem certeza de nada mas  ontem deram-me antibiótico e em princípio é uma mastite (infecção da mama) tenho de fazer mais alguns exames só para ter a certeza, mas fiquei um pouco mais relaxada.

No meio disto tudo na quinta-feira a conversar com o loiro perguntei-lhe:

Eu- E se eu tiver cancro, tu queres manter o casamento?

 (70% das mulheres com cancro da mama deixam de ter vida sexual por rejeição dos parceiros após, muitas divorciam-se nestas circunstâncias)

Loiro- Não quero fazer discurso nenhum de casamento, não quero nada complicado, quero quanto mais simples melhor.

Eu- Mas não me respondeste!!

Loiro - Porque não são coisas relacionadas. Se tiveres cancro não tem nada a ver com o nosso casamento. Se estiveres doente não é culpa tua nunca te deixaria por isso. Agora nada de pânico, vais à consulta e depois sabemos.

Ontem depois da consulta tinha aqui um jantar com amigas preparado por mim, cheguei a casa e comecei a organizar as coisas, como tínhamos combinado no skype às 20 e já tinha algumas mensagens da manhã no whatsapp que ele não tinha respondido doutras coisas não enviei mensagem a dizer nada...

Quando me dei conta tinha imensas chamadas não atendidas e estava a tentar ligar me de novo...

Eu- Aconteceu alguma coisa?

Loiro- Aconteceu a tua consulta, não enviaste mais nada eu já estava super preocupado a pensar que tinhas de ficar no hospital, our que te estavam a operar e ninguém me dizia nada,ou assim...

Derreteu-me o coração...

Ainda sem sintomas mas há alguns anos tinha feito a mesma pergunta: - Se eu tiver cancro ficas comigo? E a resposta tinha sido - Não sei!.

Agora com sintomas que podiam ser foi o oporto. Foi uma resposta de constância, de aceitação em circunstâncias menos boas, de amor incondicional.

É assim que vemos se somos amados,, quando não depende da nossa beleza, da nossa idade, do sermos saudáveis ou não. É claro que à primeira vista tudo isto interessa, somos biologicamente condicionados para ver beleza em seres saudáveis. Mas a convivência e o elo que formamos deve sobrepor-se a isto. 

O Loiro não fala muito, mas quando fala tem o poder de me deixar a mim- falabarato- ficar muda!





segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Odiozinhos de estimação: grupos de noivas

Eu não sou uma pessoa de odiar a sério.
Se pensar bem não guardo rancores, acabo por esquecer e com o tempo até querer bem a pessoas que de algum forma me prejudicaram.

Ainda assim tenho uma tendência para odiozinhos de estimação. O meu último odiozinho de estimação são as publicações dos grupos de noivas do facebook e esta febre dos casamentos.

Eu sempre tive intenção de me casar,  sou totalmente pró-casamento, respeito os casais que não o fazem mas para mim é algo que sempre fez sentido. Adoro casamentos, o ambiente de felicidade, de esperança, de Bem querer, é algo que me derrete.

Ainda assim, e mesmo com este grande amor por casamentos, detesto esta febre de que as noivas parecem agora tomadas. É exagero! É exagero que tudo tenha de combinar com tudo! É exagero que se peçam opiniões no grupo da vida privada do casal! É exagero que se queixe da sogra publicamente! É exagero as encenações de pedidos só para show off! É exagero obrigar o noivo a vestir com as exactas cores do casamento e decidir tudo sem ele! E tantas outras coisas que acabam por ser muito de casamento mas muito pouco de casal.

Eu vejo estas coisas e dou comigo a achar que pelo caminho de nos preocuparmos com o exterior perdemo-nos a nós como indivíduos e como casais.

No lado oposto conto-vos a experiência do meu casamento preferido dos últimos tempos foi o casamento de uma amiga minha cá em Hull. Depois da missa foi feito um barbecue, no quintal deles. Estava tudo enfeitado e lindo, a família ajudou a preparar coisas e havia um ambiente de descontração e felicidade total que adorei.

O meu casamento vai ser um dia particularmente infeliz, fazem lá falta pessoas que apesar de já não estarem entre nós amo muito e que sei que queriam viver este momento. Mas ainda assim se puder ter um desejo é o de que se aproxime deste de que vos falei. Que o sentimento de amor, família e amizade seja muito superior ao sentimento de perfeição que abomino cada vez mais.

Termino isto a aconselhar-vos a juntarem-se aos grupos das noivas do facebook. Se já se tiverem casado ou não pretenderem fazê-lo podem na mesma, têm sido uma das razões de riso dos últimos tempos. Acabo a divertir-me com aquelas coisas. Até ter entrado nunca me tinha dado conta que ainda vivemos numa qualquer realidade alternativa dos anos 50, em que as mulheres se querem sem maior ambição que casar e ter uma festa bonita para fazer inveja às "amigas".








segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Ensinamentos

Há dias na vida de adulto em que nos sentimos como crianças abandonadas. É como se nos tivéssemos perdido da mão da mãe ou do pai num mar de gente e não soubéssemos bem o que fazer para os encontrar. 

Hoje sinto-me assim, com falta de uma direcção, de um guia que me ajude a tomar as decisões certas.

Há mais ou menos 12 anos tive uma altura semelhante na vida, estava  a meio do segundo ano de mestrado e por atrasos diversos da universidade só a começar a  tese de mestrado, habituada a ter sucesso, sentia-me a falhar na vida e que todas as minhas escolhas até aí tinham sido erradas. Estava presa no mestrado errado, na relação errada, no amor errado, presa numa vida em que sentia não ser a que queria viver. 
Comecei a ter algumas fobias, passava os dias a comer, chorar, dormitar durante o dia, acordada à noite. Vestia-me para sair de casa e chegada à rua não conseguia sair da porta do prédio. Completamente bem vestida e maquilhada voltava para cima retirava tudo e continuava fechada. Isto durou mais ou menos dois meses. 

Um dia, no final destes dois meses, o meu pai foi-me buscar e levar-me de Lisboa para a terra para eu recuperar. Eu e o meu pai não éramos pessoas de conversas muito profundas. Tínhamos uma relação mais de cão gato, e em geral ele em casa era mais o género de pessoa de  ouvir as conversas entre nós as mulheres sorrindo sem participar muito. Ainda assim nesse dia, só nós a caminho da terra, eu a sentir-me na vida como se me afundasse em areias movediças, ele disse-me:

Pai- Sabes não há mal nenhum em desistir, em falhar, em mudar de direcção. Eu tinha tudo planeado, ir estudar desporto depois tive o acidente e acabei por ir estudar outra coisa e sou feliz. Gosto mesmo muito Se não te sentes bem onde estás muda. Começa outra coisa.

Não me lembro do que respondi, mas este saber que podia falhar foi a coisa mais libertadora da minha vida. Na altura decidi desistir do mestrado e ir começar a licenciatura de Engenharia física em Coimbra. Continuei a tese mais por hobbie, mas a achar que quando começasse o ano a ia abandonar. A minha Mãe levou-me ao médico de família, ele receitou-me medicação para dormir, que nunca cheguei a tomar. Comecei a dizer às pessoas que ia abandonar o mestrado, porque assim pensava. Fui aceite em Engenharia física, onde por equivalências tinha um ano feito e passados uns meses fui chamada para a escola e acabei por me voltar a focar no mestrado e a acabá-lo já a trabalhar.  

Mas acho que tudo se curou em mim com esta conversa, com o tempo que tive a seguir em família com os novos planos que fiz na minha cabeça e nunca cheguei mesmo a viver. Acho que foi a segunda vez que o meu Pai me salvou a vida.

Neste momento não o tenho para me vir buscar e resolver tudo.  Acho que é isto que perdemos com a perda dos Pais, uma parte do nosso mundo morre com eles a parte que nos suporta. É este sentimento de desamparo que estou a ter muita dificuldade em superar.

Sinto que outra pessoa raivosa ocupou o meu corpo, sinto-me profundamente irritada com os mais próximos sem razão, grito com a minha mãe sem querer. Algo muito negro está a ocupar a pessoa relaxada, feliz e amorosa que costumo ser.

Não esperava que tanta pessoa lê-se e comentasse o meu post anterior, nem procuro piedade. Escrevo porque escrever me ajuda. Para mim é natural. É como se tivesse conversas comigo e com os ensinamentos das pessoas que fazem e fizeram parte da minha vida e ficaram. Escrevo um diário mais privado, mas escrever de forma pública ajuda-me a esforçar-me mais por ser consistente, é mais fácil mantermo-nos no trilho quando dizemos a toda a gente do que quando só nos prometemos a nós. Por isso escrevo para o público.

Eu não quero desistir do que estou a fazer, mas preciso duma mudança. De subir do fundo do poço a pouco e pouco. E talvez chorar ajude de facto, como se com o caudal das lágrimas o poço fosse enchendo e nos ajudasse a subir. Há sofrimentos que temos de viver bem vividos para ultrapassar. Estou nessa fase, mas ainda acredito num amanhã melhor..



P.s. A foto é do primeiro dia em que conduzi a autocaravana, o meu Pai ensinou-me. Foi nas férias de verão de 2017, conduzi um pouco por toda a Europa. Este ano fui eu que a levei quando fui uns dias de férias com a minha Mãe. Talvez como no resto na vida, seja aplicar as ferramentas que me deixou.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Como a dor nos muda

Há a ideia geral de que as pessoas não mudam.

 Eu discordo inteiramente, acho é que há dois tipos de mudança que se operam em nós. 

O primeiro tipo é aquele em que cabem as mudanças pequeninas que se operam cada dia e que ao fim de algum tempo acabam por se tornar numa mudança maior, são as mudanças que quase não vemos. Daí a 10 ou 20 anos percebemos que tudo aquilo que eram verdades absolutas já o não são, que as coisas que eram o centro da nossa vida mudaram e que a pouco e pouco outras que não tinham essa importância, agora têm.

O segundo tipo de mudança que se opera em nós é o das grandes mudanças, e estas por norma ocorrem com um acontecimento importante. Acontecem em consequência de grandes eventos, grandes mudanças, rupturas, perdas, ganhos importantes. Acontecem quando nos apaixonamos, quando mudamos de cidade, quando fazemos um curso, quando mudamos de grupo, quando terminamos com alguém, quando alguém querido nos morre...

Nos últimos tempos devido à morte tão inesperada do meu Pai, tenho pensado muito nisto, tenho visto as mudanças nas pessoas que me rodeiam e são mais queridas. Tenho visto as lutas que temos para nos reajustarmos a esta transformação e a forma como nos mudou como pessoas.

Eu sempre fui muito religiosa mas isto afastou-me um pouco de Deus, se por um lado ainda acredito por outro sinto-me frustrada. Tornei-me mais medrosa e ansiosa. Acho sempre que algum momento pode ser o último, mas ao contrário do conhecido Carpe Diem e o #YOLO, é um fardo não uma sorte ver o mundo assim.
 Culpo-me ainda pelo facto de o meu Pai ter morrido na vinda de me ter ajudado. Eu não podia adivinhar e embora saiba isto racionalmente emocionalmente é algo que tem sido muito difícil de gerir. 

Tudo isto me mudou, transformou-me em alguém mais pessimista, mais triste, mais revoltada. Transformou-me também em alguém mais forte e resiliente. Só através do sofrimento mais profundo encontramos a nossa verdadeira força e sabemos os nossos limites.

Isto é muito verdade para mim particularmente este  último ano, em que além desta grande perda sofri  outras mudanças e perdas... 
Saí do sitio onde trabalhei por 10 anos (e adorava apesar das queixas continuas de excesso de trabalho), mudei de país, afastei-me da família, do loiro, da minha casa, tenho enfrentado dificuldades com a tese em processos de autorizações, burocracias, mudanças de orientadores, a orientação dum casamento à distância com toneladas de documentos, lutas de família neste processo de reajuste, problemas com o loiro por estarmos nós os dois desequilibrados internamente... porcarias atrás de porcarias.

No meio disto tudo o facto de saber que o meu Pai queria que eu prosseguisse com os meus objectivos é o que me tem dado força de prosseguir sem ter ainda desistido de nada. Acho que ele sempre acreditou em mim mais do que eu mesma. Eu sempre me senti fraca, frágil. E só agora com estas perdas todas me dei conta que o não sou.

O Loiro tinha me dito que depois de perder o Pai se sentia mais desamparado no mundo. Eu não o entendi, achei que tinha entendido mas na realidade não!
 Mas agora sinto-o também. A tragédia traz-nos esta força que nos ensina capazes de ultrapassar grandes dificuldades, mas a tragédia da perda de alguém tão crucial na nossa estrutura traz-nos a certeza de que nada é eterno, de que nada é certo e uma insegurança no mundo e no futuro que nos acompanha para sempre. Um sentimento de desamparo que se entranha em nós, nos ocupa e se faz eu.

A dor transforma-nos.




domingo, 4 de agosto de 2019

Conversas com o loiro: Surpresa

Ainda não estou de férias. E parece que quando menos falta mais o tempo custa a passar.
Ando desmotivada e com um humor de cão, especialmente nos fins de semana quando estou mais sozinha e tenho mais tempo para pensar na vida.
Mas hoje acabei por ficar feliz com uma coisa pequenina...

Eu e o loiro conversamos imenso sobre livros. Lemos muito, trocamos e partilhamos.  Isto começou porque eu sempre adorei ler. E uma das coisas que ele fez no início do namoro  que realmente me apaixonou foi ler o "Orgulho e Preconceito", é um dos meus livros preferidos. Algum tempo depois confessou que o fez mais para me impressionar que por interesse e que não gostou muito do livro, mas a verdade é que funcionou! Eu fiquei realmente impressionada e começámos a ter esta tradição literária de casal de ler em conjunto e trocar opiniões. Hoje neste contexto aconteceu uma coisa engraçada...

Loiro - Olha já acabei o livro que estava a ler.
Eu - A sério? Só eu é que este ano não leio nada, ando mesmo sem paciência.
Loiro- Vou começar outro que quero ler há algum tempo mas ainda não tinha conseguido.
Eu- Qual? 
(usualmente trocamos livros tipo romances, mas ele lê mais livros sobre desporto e eu sobre catástrofes e personalidade)
Loiro- Este! (e mostrou-me o meu livro!)

É engraçado mas nem me tinha passado pela cabeça. Como o livro é escrito em português e é poesia ele acabou por nunca o ler porque na altura do lançamento não sabia o suficiente  para o entender. E agora que sabe decidiu começar. <3

Como ele é um crítico honesto e exigente (Quem é que encontra algo contra a Jane Austen? Quem??!!!), sou capaz de ter um problema (ou talvez não, escrevo muito pior que ela!)!!! :D lolol
Em todo o caso é algo que me faz muito feliz partilhar com ele. Acredito que na poesia e no sofrimento despimos verdadeiramente a alma e nada me agrada mais que o facto de ele me querer ver assim.






sexta-feira, 2 de agosto de 2019

"Tiny Houses" e vida frugal

Qualquer pessoa que me conheça mais ou menos sabe que eu tenho uma tendência grande para acumular coisas. Tenho roupas que practicamente não uso, livros que provavelmente nunca lerei e apesar de no último ano ter feito um grande esforço para reduzir as minhas coisas não sinto que tenha ainda chegado lá.
Não me considero materialista no sentido de valorizar muito o que cada coisa custa, mas sou materialista no sentido de sentir conforto nas coisas que tenho. Sou muito ligada emocionalmente a todos os objectos, lembro-me quando comprei, porquê e tenho uma grande dificuldade de me ver livre de coisas.

O Loiro é o oposto total, todos os objectos que possui cabem em duas malas de viagem. É um adepto do minimalismo, chega mesmo a ter vários polos todos da mesma cor para não ter de escolher e andar sempre igual. A jornada da vida dele é de simplificação. Uma das coisas que ele adora em Portugal é o clima porque lhe permite ter uma vida quase inteiramente ao ar livre. Pratica imenso desporto, lê ao ar livre, dá caminhadas diárias, acampa imensas vezes durante o ano, no tempo livro apanha lixo de parques por razões ambientais. E tudo isto são coisas que eu admiro nele, apesar de ser diferente.

Por isto e pelas minhas experiências passadas de férias de autocaravana com os meus pais a viajar ganhei um gosto por casas mini. As chamadas Tiny Houses. 

Quando pensámos em comprar casa andámos a ver mas percebemos claramente que as casas mini ainda disponíveis no nosso país e com o facto de termos de comprar o terreno e de querermos ficar em Lisboa ou muito perto não era uma opção. Ainda assim e apesar de termos optado por outra solução fiquei com este "bichinho" e estas casas fascinam-me.

Não está nos meus planos mas era algo que certamente gostaria que estivesse.

Fui educada a aprender que maior é melhor, até me aperceber que não. 

E hoje no youtube encontrei uma família inteira a viver este estilo de vida mais simples, menos complicado numa destas casas e devo dizer que me parece um sonho. Nada é tão importante como proximidade e foco nos que amamos e a maioria das vezes as coisas servem apenas para nos distrair do que realmente importa. 

Deixo aqui o link tiny house


E uma foto duma destas casas. Só para verem como são giras. :D


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Conversas com o loiro

Eu sou firmemente decidida quanto às grandes coisas que quero na vida e completamente indecisa em relação às pequenas.

Na preparação do meu  casamento com o loiro descobri muito rápido o que para mim era necessário e o que era acessório. 
Claro que sofri um grande golpe com a perda do meu Pai e só consigo pensar no dia como uma ocasião agridoce em que ele não estará. Logo ele que andava tão entusiasmado com os planos! Ainda assim, viver este tipo de ligação com o loiro e com Deus é algo que quero muito.

Uma das coisas em relação à qual eu não estou ainda decidida é a questão de ter despedida de solteira, se uma em Portugal e outra cá, se só uma lá, se nenhuma. 
Há coisas que sei que não gosto. Para ser honesta acho as despedidas de solteira uma foleirice. Mas a ideia de ir sair com os meus amigos é sempre agradável e uma coisa mais simples não está totalmente fora do plano.
Já o Loiro decidiu que não quer festa de despedida de solteiro. Eu tentei convencê-lo a ter pelo menos uma mini despedida de solteiro com os irmãos ou assim:

...
Eu- Mas tens a certeza que não queres mesmo?
Loiro- Tenho!
Eu- Mas porquê?!! Tens a certeza que não te vais arrepender?
Loiro- Tenho. Casar não é uma coisa má, por isso não faz sentido que a pessoa se tenha de despedir de ser solteiro.

Nesta última frase ele relembrou-me duas das coisas que realmente me apaixonam nele. O facto de ele pensar sempre pela cabeça dele até ao mais ínfimo detalhe e a segurança com que abarca cada uma das suas decisões depois de tomada. 

Não acredito que só o amor seja suficiente para manter uma relação, tem de haver mais. Tem de haver comprometimento, compatibilidade, tolerância, admiração, atracção, objectivos partilhados, responsabilidade...

Mas no amor tudo deve ser mais fácil, se exige muito esforço para resultar não é a sério.
 E sinto isso em relação ao loiro. Sinto que torna a vida fácil.
 Ao lado dele mesmo os momentos mais amargos perdem um bocadinho da amargura porque me sinto entendida e acompanhada. 

Amor é isto! 
É sentir mais saudade dos momentos rotineiros que dos fantásticos. 
É saber que no fundo mais importante do que a viagem ou o que se faz é a pessoa que nos acompanha. 

O loiro ensina-me todos os dias que os amores espectaculares não pertencem só nas páginas dum livro, mas podem ser criados por pessoas de carne e osso, com falhas e qualidades, por pessoas reais como eu e Ele.




sábado, 13 de julho de 2019

Dizem que o amor nos muda

Dizem que o amor nos muda, que é inevitável que em qualquer relação de amor nos comecemos a parecer mais e de certa forma nos aproximemos através da transformação. Eu acredito nisto e tem sido engraçado ver a transformação que a relação com o loiro tem operado em mim.

Apesar de tentar ser consciente em relação ambiente e pessoas, sempre o fui de forma muito incompleta.

Levo os meus sacos para o supermercado desde antes de ser moda, tento comprar em lojas locais de frutas e legumes, sou paranóica com  reciclagem, opto sempre por transportes públicos... e tudo isto são hábitos que considero bons!
 Por outro lado sou um bocado viciada em compras (a segunda indústria mais poluente), uso imenso plástico e sou um pouco uma acumuladora.

O loiro é minimalista já há muito tempo, vive aquele tipo de vida simples, desapegado de objectos, pouquíssimas roupas compradas em sítios com produção europeia....Eu o total oposto!

Desde que vim para Hull, trouxe apenas o essencial e deixei o Blondy viver no nosso apartamento com as minhas roupas.  Com esta mudança dei comigo a pensar seriamente se faz sentido ter tanta coisa.
Mudei muito neste último ano. Aprendi a ver o essencial e a cortar o supérfluo para que não me distraia do que realmente interessa. As pessoas que amo, os meus objectivos, o meu papel no mundo...

O exemplo é sempre mais educativo que a pressão e realmente nisto o loiro tem razão. Simplificar a vida e viver em harmonia com o ambiente e o mundo faz-nos mais felizes. 

Por isso, decidi finalmente adaptar-me a este estilo de vida mais simples, comprar apenas o necessário, evitar o desperdício, desapegar-me um pouco mais do material e tentar evitar tudo o que pertence a lojas de fast fashion. Vamos lá ver como me saio nisto. é uma grande mudança da pessoa que eu era há cerca de um ano, mas sinto-me finalmente pronta.


Não quero ser mais parte do problema!


P.s. Se puderem vejam o documentário da netflix true cost, choca-nos mas vale a pena ser visto.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Como um estrangeiro entende português...


Hoje tive uma conversa engraçada com o loiro que vos deixo aqui.

Para contextualizar, tenho de explicar que há três semanas o meu loiro foi operado a um pé e desde aí tem estado a recuperar. Esta semana começou a fisioterapia. Vindo da fisioterapia tivemos esta  conversa. Nós  comunicamo-nos sempre em inglês, e ainda que na vida normal com outras pessoas em Portugal ele já fale português às vezes acontecem situações cómicas. Para que entendam todas as palavras que no original nós dissemos em português vou colocar entre aspas, tudo o que estiver fora de aspas foi dito em inglês.
Escuso dizer que apesar de a linguagem ser um bocadinho ofensiva não é minha intenção ofender ninguém, estou a reproduzir a forma como o trataram na consulta...

Eu- Então como correu a fisioterapia?
Loiro- Correu bem mas o fisioterapeuta chamou-me "marisco".
Eu- "Marisco"? Porquê?
Loiro- Estava a fazer-me doer e eu estava preocupado que a dor não fosse normal e queixei-me e perguntei se era suposto doer, então ele chamou-me "marisco". Disse:"Estes homens hoje são uns mariscos!".
Eu- Não terá sido "maricas"?
Loiro- Ah, pois foi isso!


Eu lá lhe expliquei o insulto, ele ficou mais sossegado por ter sido uma piada, mas queixou-se de que a pessoa tem de saber se estas coisas são normais ou não.

 E eu fiquei a pensar que todo este processo da cirurgia me tem ensinado como a abordagem à saúde é diferente nos dois países:

-Quando o médico diz que lhe responde e demora dois dias a responder, eu acho normal, ele acha que ele não é confiável. 
-Quando as consultas estão atrasadas, eu acho que é normal, ele acha que o médico não é confiável. 
-Quando gozam com ele numa consulta, eu acho normal que é para relaxar, ele acha uma falta de respeito. 

Eu não sei bem o que está mesmo certo, sei que os nossos profissionais fazem o melhor possível com os meios à disposição. Mas talvez exista mesmo uma necessidade de reorganização dos serviços, em que as pessoas tenham um sistema mais previsível, mais respeitoso, em que os pacientes sintam que se podem queixar e perguntar à vontade. 
A nossa saúde ainda é muito centrada no Médico e menos no doente e  há um caminho a fazer. Acho que no fundo nós portugueses normalizamos um sistema que não devia ser visto como normal.
Talvez no meio esteja mesmo a virtude e uma coisa entre os dois extremos que conhecemos entre Portugal e a Alemanha pudesse ser possível, em que se brincasse com o doente de forma não ofensiva... uma realidade em que as pessoas se sentissem ouvidas e atendidas de forma competente.

Deixo uma foto do loiro quando acordou da cirurgia: 



P.s. Ele não vai gostar, mas a verdade é que mesmo pouco depois de acordar da anestesia  o acho super giro. 😻

sábado, 6 de julho de 2019

Lutas que não são só nossas

Eu tendo a viver a minha vida de forma muito transparente. 

Acho que isto vem do facto de eu perseguir a felicidade e  acreditar que um dos caminhos para a atingir é manter os nossos interior e exterior em harmonia, congruentes. Assim vivo para mim mais do que para os outros, ainda que ironicamente o escrever sobre a minha vida num blogue e tentar ser honesta sobre as minhas lutas e dificuldades o sejam na medida em que esta informação está disponível para os outros.

Nos últimos meses não escrevi pois com a morte do meu Pai fiquei um pouco apática em relação ao mundo, tenho vivido esta dor de forma pessoal e de certa forma isto fez-me fechar em mim mesma e procurar mais a companhia dos que amo. Mas voltei a sentir vontade de escrever de novo, escrever é como que uma paixão que me liberta,  parece certamente exagerado, mas é como o sinto. Uma grande amiga minha disse me uma vez que os meus blogs são um pouco como diários abertos, em que quem me conhece me revê aqui inteiramente. Os altos e baixos, as vitórias e lutas...

 Uma das lutas que travei de forma pública em conjunto com o meu loiro foi o facto de ele ter sofrido de depressão e as dificuldades que enquanto casal a dado ponto isso nos causou. Felizmente e apesar de os estados mentais terem sempre de ser vigiados e reavaliados de tempo a tempo, conseguimos encontrar um equilíbrio em que o "dragão" dele se foi tornando mais pequeno e adormecido e é agora uma espécie de estimação com a qual brincamos no nosso dia a dia, enquanto construímos sonhos e a nossa vida conjunta.

Há algum tempo num jantar em que se falou de doença mental contei esta nossa situação. Esta semana uma rapariga a quem eu conheço de vista  que estava lá, quando por acaso me viu na internet lembrou-se disso. Estava em desespero! Ela e o namorado estão a viver uma situação semelhante à que eu e o loiro vivemos. E apesar de eles estarem a procurar os cuidados médicos especializados que necessitam, saber que alguém passou por isso e está do outro lado das crises de pânico, do outro lado do sofrimento que isso causa, deu-lhes ânimo no futuro.

Por norma as pessoas criticam a minha abertura, o facto de eu ser talvez demasiado honesta em relação aos meus fracassos até mais do que às minhas vitórias. Parece que só conto o fado da desgraçadinha. Mas por uma vez o facto de eu ser tão aberta em relação às lutas da minha vida trouxe um resultado muito positivo. Ajudou alguém!

Talvez esta minha personalidade estranha e um pouco louca seja a minha forma de equilibrar o mundo e ir ultrapassando desafios sem desistir, talvez o meu optimismo e confiança no mundo mesmo na desgraça e estes óculos rosa com que vejo tudo sejam no fundo uma força em vez de fraqueza. 

Vou acabar este pequeno "testamento" com uma expressão que me disseram há uns meses e que adorei, era suposto ser um insulto mas foi tão inesperado e criativo que passei a usar como medalha:"Tu passas pela vida como quem caga arco-íris e unicórnios" 😎

Não acham que me assenta realmente bem?







sexta-feira, 15 de março de 2019

Serão as pessoas que nos odeiam apenas admiradores invejosos?


Nos últimos tempos estou talvez a viver aquela que até agora é a época mais difícil da minha vida. Estou a gerir a dor da perda do meu Pai, em certa parte isolada das pessoas que amo. Acrescido a isto tudo e à adaptação que existe numa escolha de mudança tão radical como a que fiz aos 33 anos de idade, tenho tido desde que vim para cá desafios e problemas muito complicados que fogem totalmente do meu controlo, que me prejudicaram grandemente ainda que que eu não tenha tido qualquer responsabilidade ou mão neles.  

Tudo isto causou-me uma fragilidade que por norma  experimento mais em períodos de dor. Eu sou uma optimista nata, mas até eu me sinto perdida no mundo nestas circunstâncias.

Como é conhecido, costumo virar-me para a escrita, mas a verdade é que nos últimos tempos senti mais necessidade de me isolar, de dar carinho a mim mesma, de reduzir a pressão na minha vida pessoal e social,  de me dar o direito a parar. 

Não sei se foi a melhor decisão,  tenho-me sentido numa luta para permanecer à superfície e não me afundar face aos problemas. 

A par com isto tenho sofrido ataques pessoais gratuitos só porque talvez seja a melhor altura para que estes tenham impacto. A maldade surpreende-me sempre!
Não deveria. Mas parece-me sempre tão gratuita sem uma motivação aparente.

Eu acredito que só pessoas inseguras e que se sentem frágeis em si atacam outras pessoas que não estão no seu melhor. Que no fundo isto vem duma falta de oportunidade de conseguir triunfar quando em circunstâncias em que o alvo não se sente diminuído ou paralisado. Começo a acreditar que os atacantes são em si admiradores um bocado estranhos, que no fundo invejam algo na força ou na felicidade das pessoas que atacam e que usam isso para que diminuindo o outro se elevem a si mesmos. Não resulta! 

A única forma de nos elevarmos está na bondade. A nossa vida é uma jornada para encontrar significado, para ter um impacto positivo no mundo, para procurar a verdadeira felicidade que existe apenas no amor ao outro... muitas vezes deixamos que coisas vazias e fúteis se ponham no nosso caminho entre nós mesmos e o nosso propósito. 

Da minha parte não há-de ser isto a fazer-me desistir do que tracei como objectivo. Talvez esteja na altura de me abrir ao mundo de novo, ainda que ferida. 




Tese e Desafios

Eu acho que me tinha esquecido como é começar algo.  Tive o mesmo trabalho por 10 anos, aprendi imensas coisas lá, mas com o tempo habi...