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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Ovinhos congelados: Done!


Quando chegamos à década dos 30 como mulheres somos algo pressionadas a tomar uma posição em relação à questão de querer ou não crianças. A maioria de nós começa a pensar mais a sério neste assunto e planeia a sua vida em função disso.

Pessoalmente eu sempre achei que quereria ser mãe um dia, a questão é que os 30 chegaram e eu não sinto essa vontade mais próxima do " um dia será algo que realizarei", ou seja "um dia", não agora! 
Tenho também noção que a fertilidade feminina decresce de forma acentuada após os 35 e não quero sentir-me pressionada a ser mãe antes de o desejar mesmo.
 Em relação a este tema, noto muitas opiniões extremas e sempre me senti um pouco no meio, é uma questão que me preocupa mas no longínquo. A ideia de ser mãe no imediato ainda me assusta.

Assim, optei pela criopreservação dos ovócitos, ou trocado por miúdos, congelei os meus óvulos. Decidi escrever sobre o tema para que pessoas que se sintam como eu quanto a este tema  se possam informar e saibam que  há alternativas.

Porque é que quero vir a ser mãe um dia? 
- Porque acredito que as pessoas se realizam através do ter filhos, acredito que é uma oportunidade de nos "imortalizar", não só geneticamente mas através da educação e valores que são passados, através da marca que o ser família imprime.
Ainda assim, há muitas coisas que quero fazer ainda antes de ser mãe...



A razão pela qual falo sobre isto  quando seria algo que o bom senso me aconselha a não divulgar?

Porque apesar de ainda não ser uma prática corrente, é uma técnica muito acessível e um tema sobre o qual não se fala muito. Na realidade desde que manifestei esta vontade tenho ouvido os dois coros: críticas por pessoas que acreditam que se deve ser mãe cedo e questões um pouco surdas de pessoas interessadas no processo, que se querem informar.
Como pouco me importa o que os primeiros pensem, decidi responder a algumas das questões das segundas.

As minhas crenças em relação ao assunto:
Pessoalmente eu acredito na ciência, acredito em Deus e na minha cabeça estes temas não são contraditórios. A ciência descobre a grandeza Divina.. Não vejo estes procedimentos como contranatura, na realidade acho que o mundo mudou, a medicina prolonga a vida e permite-nos viver com saúde até mais tarde então o estender da fertilidade é apenas uma vertente que considero dentro dos meios  disponíveis por vivermos no tempo em que vivemos. Encaixo isto na minha cabeça mais ou menos na mesma caixa em que encaixo o uso de antibióticos para não se morrer de infeção, para mim não é uma questão ética mas antes uma questão tecnológica.

Sinto-me bem com a minha escolha?
Sinto-me como acho que os homens se sentem: aliviada em relação ao assunto, sem pressa. 
Primeiro porque não preciso de pensar em ser mãe quando ainda não sinto vontade de o ser e segundo porque ao preservar os meus óvulos ainda não muito velha o material genético lá presente tem mais probabilidade de não estar corrompido, ou seja os meus óvulos mesmo que utilizados mais tarde mantêm as propriedades da minha idade agora.

É um procedimento difícil?
O procedimento em si não, é feito por punção ovárica com sedação, ou seja só me senti um pouco dorida nos dias a seguir mas algo perfeitamente suportável. Nos dias anteriores tive de seguir um processo de estimulação hormonal com muitos exames e injecções e isso sim foi para mim o mais negativo do processo. Este procedimento está disponível também para mulheres totalmente saudáveis.

Quanto custa?
O procedimento no local onde fiz (Cemeare) custa 1000 €, a criopreservação por 5 anos 500€, a medicação e exames ficaram um pouco caros, sendo que todo o procedimento ficou entre 2000 e 2500€.

Até que idade os óvulos podem ser usados?
No nosso país a legislação actual contempla os 49 anos, na clínica onde fiz a implantação pode ser até aos  47 anos, mas estes podem ser deslocados para outras clínicas ou países. Os óvulos mantêm as características com o tempo e em outros países  estes procedimentos são feitos em idades mais avançadas, os casos mais mediáticos foram um na Índia aos 73 anos e outro na Espanha aos 65.
No meu caso ainda não pensei bem, mas não conto usá-los antes dos 40 anos, nem depois dessa década. 

Isto invalida o processo de reprodução normal?
Não. Na realidade os óvulos que são retirados são os que seriam perdidos numa ovulação normal, um por ser libertado os outros por atrofiarem. A minha fertilidade não é afectada com isto, no meu caso eu vejo isto como um backup, como quando se gravam as fotografias em dois sítios para não se perderem. Eu mantenho a possibilidade de reprodução normal enquanto a tiver, mas se depois quando desejasse fosse difícil tenho esta alternativa com óvulos meus, em vez de recorrer a óvulos de dadora.

Espero que tenha ajudado alguém, se por ventura quiserem contactar-me pessoalmente em relação ao tema, de forma menos exposta não vejo qualquer inconveniente.










sexta-feira, 18 de maio de 2018

A Eva no Paraíso: Apresentações

Como é normal no início dum Blog começo por me apresentar.

Olá eu Sou a Eva, tenho 33 anos e gosto de escrever, ainda que nos últimos meses quase não o tenha feito de forma recreativa.

Não vou continuar com a minha apresentação assim. Afinal, imagino que as pessoas que comecem a ler este Blog sejam na sua maioria pessoas que me conheçam. Por esta mesma razão em vez de me alongar muito na minha pessoa (não é preciso no primeiro post, afinal criei um blog todo para isso!!)   decidi apresentar mais o que pretendo fazer aqui e a razão pela qual estou a começar este projecto.

Ora bem, eu escrevo diário desde os meus 11 anos, escrevo em Blogs desde o início dos 20s, tenho um livro de poesia editado, já escrevi textos a convite para publicações... Mas mais, mais, isto vem do facto de nos últimos anos ter escrito um blog que começou com o propósito de retratar apenas questões relacionadas com o meu excesso de peso e tentativas de mudanças de comportamentos mas que na realidade com o tempo "descambou" para ser um pouco um registo de opiniões, pensamentos, luta contra o preconceito, eventos da minha vida.

O Blog tinha muitas visualizações e por isso ouvi muitos comentários acerca do que escrevia, alguns positivos mas também muitos negativos. Quem me conhece bem sabe que sou uma pessoa algo transparente e que aparte de alguns segredos (que são mesmo segredo!) quase tudo o resto é público na minha vida. 
Ainda que por norma leve o que penso avante, esta paragem de alguns meses para ponderar os conselhos que ouvi, deu-me  a possibilidade de reflectir nos comentários que sobretudo as pessoas próximas de mim fizeram e fez-me perceber que escrever é mesmo uma necessidade minha. É agradável quando além de escrever para mim tenho a possibilidade de interacção e troca de ideias  com outros sobre o que escrevo.

Decidi assim criar um Blog mais geral e igualmente pessoal (pois como uma grande amiga minha disse sobre o anterior), "Quem te conhecer e ler vê que é uma espécie de diário".

 Não sei quanto tempo durará, não sei do que falarei ao certo, não estou neste espaço preocupada em ser politicamente correcta... Como apesar de traçar planos para tudo nunca os sigo, não tenho ainda uma visão de clara de nada, e só posso prometer uma viagem  pessoal com surpresas. Escrevo sobretudo para mim... mas o acompanharem-me é o bónus.







Tese e Desafios

Eu acho que me tinha esquecido como é começar algo.  Tive o mesmo trabalho por 10 anos, aprendi imensas coisas lá, mas com o tempo habi...